quinta-feira, 13 de março de 2014

Revolução Industrial: história, economia, política e sociedade


Rafael Fernandes Pereira

            A Revolução Industrial modificou as estruturas de nossa sociedade, o enorme aumento de produtividade proporcionou uma acumulo de capital sem precedentes. Os avanços obtidos com ela são bem visíveis, seu papel crucial foi consolidar o sistema de produção capitalista e a burguesia.
            A história da Revolução Industrial inicia-se com o renascimento comercial na Europa no século XI, que promoveu a volta da comunicação e comercialização no continente. Segundo Furtado (1954) com a retomada das atividades comerciais a economia reagirá aos estímulos e voltará a se desenvolver, formando um sistema produtivo na Europa feudal.
No século XVI as nações europeias foram responsáveis pelo descobrimento do novo mundo, o continente americano, fixando colônias nas novas terras. A relação econômica com as colônias formaram as bases do mercantilismo, que visava à exportação de manufaturas e importação de produtos primários. Segundo Dobb (2009) o mercantilismo foi responsável pela acumulação primitiva de capital, empreendida pela burguesia que nesse processo concentrou a propriedade em suas mãos e acumulou recursos necessários a industrialização.
            Com o desenvolvimento do comércio mercantil o sistema de produção artesanal foi tornando-se incapaz de atender a crescente demanda. Em resposta a isto alguns grandes comerciantes começaram a organizar trabalhadores em um sistema de manufaturas, onde a utilização da divisão do trabalho aumentou a produtividade. “A manufatura já implica a separação entre o trabalho e o capital, [...] o princípio e a razão de ser da manufatura é a divisão do trabalho.” (MANTOUX, 1990, p. 13).
Estas manufaturas já estavam operando como indústrias, porém sem maquinaria. “A história econômica da Inglaterra, [...] nos dão a conhecer a existência de empresas capitalistas, particularmente na indústria de lã, no início do século XVI, às vezes mesmo nos séculos XV e XVI.” (MANTOUX, 1990, p. 10). É justamente a falta de maquinaria que difere a manufatura da indústria e, portanto apesar dos avanços a revolução ainda não tinha ocorrido.
Segundo Hobsbawm (2009) os grandes fatores responsáveis pela Revolução Industrial na Inglaterra foram o mercado e o governo. O mercado interno foi favorecido por alguns fatores: investimentos em transportes no início do século XVIII; o mercado interno era o principal consumidor de produtos que se tornariam os bens de capital, como o carvão; e o aumento da procura interna de alimentos levou a uma revolução tecnológica na produção de alguns produtos alimentícios como a farinha e a cerveja, porém estes não chamaram tanta atenção como os produtos têxteis.
O mercado externo constitui o principal agente fomentador da Revolução Industrial. As exportações inglesas cresceram mais de 70% em cinquenta anos, isto ocorreu porque o mercado interno não necessita de um crescimento natural como o mercado interno. A expansão do mercado externo se dava por guerras ou colonizações, e o governo atuou de forma decisiva empreendendo a guerra. A marinha britânica era voltada para o comércio e constantemente expandia os mercados. “A Grã-Bretanha estava disposta a subordinar toda a política externa a objetivos econômicos.” (HOBSBAWM, 2009, p. 46). O primeiro produto a ser industrialização foi o algodão, o que favoreceu o desenvolvimento da indústria têxtil, principal beneficiada.
Realizada a Revolução Industrial a economia capitalista estava totalmente instalada na Inglaterra. A revolução preencheu todos os pré-requisitos necessários para a implantação deste sistema. Maurice Dobb define o capitalismo segundo a concepção marxista, como um modo de produção.
Em terceiro lugar, temos o significado inicialmente conferido por Marx, que não buscava a essência do capitalismo num espírito de empresa nem no uso da moeda para financiar uma série de trocas com objetivo de ganho, mas num determinado modo de produção. Por modo de produção, ele não se referia apenas ao estado da técnica – ao que chamou ao estágio de desenvolvimento das forças produtivas – mas ao modo pelo qual se definia a propriedade dos meios de produção e às relações sociais entre os homens que resultavam com o processo de produção. Desse modo, o capitalismo não era apenas um sistema de produção para o mercado – um sistema de produção de mercadorias, como Marx o denominou – mas um sistema sob o qual a própria capacidade de trabalho ‘se tornara uma mercadoria’ e era comprada e vendida no mercado como qualquer objeto de troca. Seu pré-requisito histórico era a concentração da propriedade, dos meios de produção em mãos de uma classe, que consistia apenas numa pequena parte da sociedade, e o aparecimento consequente de uma classe destituída de propriedade, para a qual a venda de sua força de trabalho era única fonte de subsistência. (Dobb, 2009, p. 17).
            A revolução industrial modificou as relações sociais, os trabalhadores foram alienados com a divisão do trabalho e passaram a trabalhar no ritmo da máquina. As péssimas condições de trabalho na indústria, os constantes acidentes, a baixa remuneração e jornadas de até 16 horas diárias de trabalho viraram rotina para os trabalhadores. Segundo Marx e Engels (2008) a dominação capitalista burguesa transformou as configuração classistas, dividindo-as em duas: proletariado e burguesia; o proletariado é a classe explorada sem direito a propriedade que vende sua força de trabalho para sobreviver e a burguesia é a classe que concentra os meios de produção e a propriedade; estas vivem um conflito presente em toda história humana, a luta de classes.
            Vemos o legado da Revolução Industrial em todo mundo, seria impossível viver a atual realidade sem a sua realização. É inegável sua contribuição para o avanço científico e tecnológico. Contudo ela trouxe alguns problemas: a) a questão ambiental, b) a subordinação do proletariado que conseguiu melhorias em sua vida, mas ainda tem o acesso restrito a propriedade e, c) países com alto nível de desigualdade social.
Referências:
DOBB, Maurice. A evolução do capitalismo. 9. ed. Rio de Janeiro:  LTC, 2009.

FURTADO, Celso. A economia brasileira: contribuição à análise do seu desenvolvimento. Rio de Janeiro: A Noite, 1954.

HOBSBAWM, E. J. Da revolução industrial inglesa ao imperialismo. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária: 2009.

MANTOUX, Paul. A revolução industrial no século XVIII. São Paulo:
UNESP/HUCITEC, 1990.


MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do partido comunista. São Paulo: Expressão Popular, 2008.

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