Rafael Fernandes Pereira
A Revolução Industrial modificou as
estruturas de nossa sociedade, o enorme aumento de produtividade proporcionou
uma acumulo de capital sem precedentes. Os avanços obtidos com ela são bem
visíveis, seu papel crucial foi consolidar o sistema de produção capitalista e
a burguesia.
A história da Revolução Industrial
inicia-se com o renascimento comercial na Europa no século XI, que promoveu a
volta da comunicação e comercialização no continente. Segundo Furtado (1954)
com a retomada das atividades comerciais a economia reagirá aos estímulos e
voltará a se desenvolver, formando um sistema produtivo na Europa feudal.
No
século XVI as nações europeias foram responsáveis pelo descobrimento do novo
mundo, o continente americano, fixando colônias nas novas terras. A relação
econômica com as colônias formaram as bases do mercantilismo, que visava à
exportação de manufaturas e importação de produtos primários. Segundo Dobb
(2009) o mercantilismo foi responsável pela acumulação primitiva de capital,
empreendida pela burguesia que nesse processo concentrou a propriedade em suas
mãos e acumulou recursos necessários a industrialização.
Com o desenvolvimento do comércio
mercantil o sistema de produção artesanal foi tornando-se incapaz de atender a crescente
demanda. Em resposta a isto alguns grandes comerciantes começaram a organizar
trabalhadores em um sistema de manufaturas, onde a utilização da divisão do
trabalho aumentou a produtividade. “A manufatura já implica a separação entre o
trabalho e o capital, [...] o princípio e a razão de ser da manufatura é a divisão
do trabalho.” (MANTOUX, 1990, p. 13).
Estas
manufaturas já estavam operando como indústrias, porém sem maquinaria. “A
história econômica da Inglaterra, [...] nos dão a conhecer a existência de
empresas capitalistas, particularmente na indústria de lã, no início do século
XVI, às vezes mesmo nos séculos XV e XVI.” (MANTOUX, 1990, p. 10). É justamente
a falta de maquinaria que difere a manufatura da indústria e, portanto apesar
dos avanços a revolução ainda não tinha ocorrido.
Segundo
Hobsbawm (2009) os grandes fatores responsáveis pela Revolução Industrial na
Inglaterra foram o mercado e o governo. O mercado interno foi favorecido por
alguns fatores: investimentos em transportes no início do século XVIII; o
mercado interno era o principal consumidor de produtos que se tornariam os bens
de capital, como o carvão; e o aumento da procura interna de alimentos levou a
uma revolução tecnológica na produção de alguns produtos alimentícios como a
farinha e a cerveja, porém estes não chamaram tanta atenção como os produtos
têxteis.
O
mercado externo constitui o principal agente fomentador da Revolução Industrial.
As exportações inglesas cresceram mais de 70% em cinquenta anos, isto ocorreu
porque o mercado interno não necessita de um crescimento natural como o mercado
interno. A expansão do mercado externo se dava por guerras ou colonizações, e o
governo atuou de forma decisiva empreendendo a guerra. A marinha britânica era
voltada para o comércio e constantemente expandia os mercados. “A Grã-Bretanha
estava disposta a subordinar toda a política externa a objetivos econômicos.”
(HOBSBAWM, 2009, p. 46). O primeiro produto a ser industrialização foi o
algodão, o que favoreceu o desenvolvimento da indústria têxtil, principal
beneficiada.
Realizada
a Revolução Industrial a economia capitalista estava totalmente instalada na
Inglaterra. A revolução preencheu todos os pré-requisitos necessários para a
implantação deste sistema. Maurice Dobb define o capitalismo segundo a
concepção marxista, como um modo de produção.
Em terceiro lugar, temos o significado inicialmente conferido por Marx,
que não buscava a essência do capitalismo num espírito de empresa nem no uso da
moeda para financiar uma série de trocas com objetivo de ganho, mas num
determinado modo de produção. Por modo de produção, ele não se referia apenas
ao estado da técnica – ao que chamou ao estágio de desenvolvimento das forças
produtivas – mas ao modo pelo qual se definia a propriedade dos meios de
produção e às relações sociais entre os homens que resultavam com o processo de
produção. Desse modo, o capitalismo não era apenas um sistema de produção para
o mercado – um sistema de produção de mercadorias, como Marx o denominou – mas
um sistema sob o qual a própria capacidade de trabalho ‘se tornara uma
mercadoria’ e era comprada e vendida no mercado como qualquer objeto de troca.
Seu pré-requisito histórico era a concentração da propriedade, dos meios de
produção em mãos de uma classe, que consistia apenas numa pequena parte da
sociedade, e o aparecimento consequente de uma classe destituída de
propriedade, para a qual a venda de sua força de trabalho era única fonte de
subsistência. (Dobb, 2009, p. 17).
A revolução industrial modificou as
relações sociais, os trabalhadores foram alienados com a divisão do trabalho e
passaram a trabalhar no ritmo da máquina. As péssimas condições de trabalho na
indústria, os constantes acidentes, a baixa remuneração e jornadas de até 16
horas diárias de trabalho viraram rotina para os trabalhadores. Segundo Marx e
Engels (2008) a dominação capitalista burguesa transformou as configuração
classistas, dividindo-as em duas: proletariado e burguesia; o proletariado é a
classe explorada sem direito a propriedade que vende sua força de trabalho para
sobreviver e a burguesia é a classe que concentra os meios de produção e a
propriedade; estas vivem um conflito presente em toda história humana, a luta
de classes.
Vemos o legado da Revolução
Industrial em todo mundo, seria impossível viver a atual realidade sem a sua
realização. É inegável sua contribuição para o avanço científico e tecnológico.
Contudo ela trouxe alguns problemas: a) a questão ambiental, b) a subordinação
do proletariado que conseguiu melhorias em sua vida, mas ainda tem o acesso
restrito a propriedade e, c) países com alto nível de desigualdade social.
Referências:
DOBB, Maurice. A evolução do capitalismo. 9. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2009.
FURTADO, Celso. A economia brasileira: contribuição à análise do seu desenvolvimento.
Rio de Janeiro: A Noite, 1954.
HOBSBAWM, E. J. Da revolução industrial inglesa ao imperialismo. 5. ed. Rio de
Janeiro: Forense Universitária: 2009.
MANTOUX, Paul. A revolução industrial no século XVIII. São Paulo:
UNESP/HUCITEC, 1990.
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do partido comunista. São
Paulo: Expressão Popular, 2008.
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